segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Escape.

“Eu a fitava durante algum tempo. Ela sempre fazia a mesma coisa. Todas as tardes. Ela saia da escola, e ia correndo para uma antiga e abandonada rampa de Skate, na qual ninguém freqüentava. Ela se sentava no alto da rampa, acendia um cigarro e tragava-o vagarosamente. Todas as tardes. Eu andava observando-a a algum tempo. Apenas de olhá-la, ela me fazia estremecer e meu coração bater. Era um dia nublado e frio, eu estava sentado na rampa de Skate antes dela. Tragando um cigarro, com uma bebida ao lado. Eu estava viajando em meus pensamentos, acabei esquecendo a hora, e não pude escutá-la chegar. Ela sentou-se ao meu lado, e fitava-me sem sequer dar alguma palavra. Pude ver dos olhos dela, uma lágrima cair. Sem entender o quê havia, eu levantei-me. No mesmo instante, ela me puxou para baixo.
- Fique aqui. Fique aqui comigo. – Ela implorou-me. – Sentei-me novamente ao lado dela. Fitava-a.
- O quê houve moça? – Perguntei-a com uma expressão de preocupação.
Ela não me respondeu. Ergui uma de minhas sobrancelhas, ainda esperando alguma resposta. Ela tremia, teus lábios gélidos e rosados pelo frio, teus d
entes açoitavam um no outro, o cabelo atirado para trás, por culpa do vento. Retirei o meu casaco, e entreguei-a. Logo, ela se vestira com ele.
- Conte-me o quê houve, uh? – Insisti.
- Eu não aturo mais minha vida. Eu quero fugir! – Ela falou de uma vez só, um pouco calma, mas com uma expressão de alvoroço. – Fuja comigo? – Ela sussurrou séria.
- Tu nem me conheces. – Falei no mesmo tom, com um ar de surpreso.
- E daí?! Fuja comigo! – Ela falava no mesmo tom, com certa ponderação.
- Tu és apenas uma criança. – Falava para ela.
- Não! – Ela soltou um rugido.
- Hoje? – Perguntei-a.
- Amanhã. Ao pôr-do-sol. – Ela continuava a falar com seriedade.
- Estarei aqui. – Dei uma última tragada no meu cigarro e joguei-o fora. Ela se levantou e saiu. Fiquei lá por mais alguns minutos, e logo depois me retirei do local. Cheguei em casa, deitei-me no sofá. Contava os minutos. Adormeci.
Acordei. Já era tarde. A hora havia passado. Fui correndo para a rampa de Skate, com alguma esperança de vê-la por lá. Ela estava sentada choramingando.
- Pensei que não viria. – Ela gaguejou.
- Eu disse que viria. – Eu fitava-a. Ela me abraçou forte, e soltou um sorriso. Ela estava gelada, e estava vestida com meu casaco, que ficara com ela no dia passado. Pegamos o trem.
- Qual o teu nome? – Ela me questionou.

- Steven. – Eu respondi.”

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