sábado, 14 de novembro de 2009

Vadias.

"O Rock'n'roll tocava, os anos setenta voltara. Deitada na cama, com pés para o ar, esperando ele chegar. O sol aparecia, o lençol me cobria, o Tilenol de baixo do colchão, o girassol no chão, o futebol na televisão. A cama desarrumada, a mulher armada. Alguém acabara de abrir a porta, era ele. Só podia ser ele.
- Amor? – Perguntei.
- Não. – Responderam-me. – Quem poderia ser? Apressei-me para debaixo dos lençóis, cobrindo-me até o colo. Passos aproximavam-se, cada vez mais perto o som estava. Preocupada eu ficava. Eu escutara algum barulho estranho, semelhante a uma arma. Oh. Era a esposa dele.
- O que tu queres aqui? – Perguntei-a.
- Tua dignidade. Ah é, tu não tens. Vadia. – Ela soltou uma gargalhada.
Ouvia a porta se abrir, novamente. Passos aproximavam-se. Outra mulher. Outra mulher.
- Olá, vagabundas. – A mulher que acabara de chegar cumprimentou-nos. – Olhava-as com cara de espanto.
- Isto daqui virou alguma reunião particular? – Perguntei-as.
- Eu sou a mulher dele. – A primeira mulher falou de arranco.
- Não, eu sou. – A segunda berrou. Elas discutiam.
- E tu? Quem é?! – Uma delas perguntou-me.
- A gostosa com quem o marido de vocês faz sexo. – Soltei uma majestosa risada.
A porta se abrira novamente. Passos aproximavam-se. Outra mulher seria? A minha sorte é que não sou nada dele, além de mulher de noite, que se aproveitava do dinheiro do velho. Era ele. Aproximou-se da cama.
- Olá. – Ele falou enquanto beijava a primeira mulher, na qual estava armada. Pegando assim, a arma dela. Ele atirou na primeira, e logo em seguida na segunda. Eu esperava pela minha vez, não seria diferente comigo. Eu sempre pensei na morte. Eu esperava morrer por algo digno. Mas eu sou uma puta! Eu nunca poderia morrer por algo digno. A não ser que tu julgues dinheiro, sexo e drogas digno. De certa forma, eu até acho digno, não? Isso é tudo o que eu preciso. – Ele apontou a arma na minha cabeça. – Vagabunda. – Ele falou enquanto puxava meu cabelo com a outra mão. Uma leve gargalhada eu soltei. Ele me largou, jogou-me na cama dando-me um tapa. Atirou."

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