sábado, 31 de outubro de 2009

Lágrimas.

“Cartas velhas, amores antigos, poeira, velas, escuro, frio, lembranças... Ele. Será que um dia ela poderá esquecê-lo? Gavetas guardam palavras distantes, vidas passadas, amores acabados. Um lápis pequeno, rabiscos no lixo, papéis jogados, a chuva caindo. Invenções. A música no rádio, a capa da revista, a manchete do jornal... Em pessoas desconhecidas tentava encontrá-lo. A perna quebrada, a bermuda largada, a chegada da chuva, a grama cortada... Lembranças passadas. Palavras ao vento, versos no lixo, desenhos guardados. Paredes pintadas. Ela havia cansado de esperar por ele, de se perguntar o que havia acontecido, se ela era a errada. Ela só havia amado demais. Isso é errar? Caída no chão, com os pés no colchão, com fotos na mão. Ela apreciava as fotos e uma lágrima percorria a face dela, ela podia sentir seu nariz entupir, e soluços chegando. Lágrimas caiam nas fotos, as fotos de tão remotas se despedaçavam. O coração dela partido, a vela caída, o fogo percorrendo pelos móveis. “Bip-bip”, o celular tocou. O fogo acabou. Acabou com a casa e com ela. “Nos encontramos às 19h00min?” No celular estava escrito. Ela morreu sem saber o porquê, e ele chorou por ter demorado demais.”

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