sábado, 31 de outubro de 2009

Inspiração.

“A minha inspiração para escrever se foi, se foi quando ele partiu. Na verdade, eu nunca soube escrever bem, muito menos agora que a razão dos meus desejos se fora, a razão dos meus sonhos mais malucos e dos meus pensamentos mais exóticos. Os meus textos normalmente tinham algum tipo de emoção, algo que eu pudesse passar para os leitores, hoje em dia já não é nada. Não sei mais o que escrever, ou sobre o que escrever. Por que ele se foi? Ele me deixou por algum erro meu? Ou será que os meus textos não eram o suficiente para demonstrar todo o meu carinho por ele? Eu já não sei mais o que pensar. Ele me deixou por outra. Ele foi com outra. Sem querer me gabar, mas eu sou muito melhor do que ela. Mas é como dizem... O mundo dá voltas... E quem sabe em uma dessas nós não nos topamos? Eu adoraria. Até lá eu já escreverei textos melhores, talvez não tão bons quanto os da Clarice Lispector, ou Shakespeare, mas o suficiente para mostrar o tanto que ele me fez sofrer. O tanto que eu sofro, e o tanto que eu sofrerei. Eu me pego falando com paredes, o assunto? Ele. Eu me pego pensando em coisas, o assunto? Ele. Apenas ele. O mundo gira em torno dele? Pouco me importo. Saia. Então lá fui eu, para alguma desses bares de Londres...
- Vamos lá, pegue uma bebida! Beba, não faz mal! É bom... Faz bem! Se sinta bem, se sinta livre. Morrer é o melhor meio de se esquecer os problemas. – Eu só escutava isso, eu já não me recordo de mais nada. Apenas me lembro de uma morte lenta e dolorosa, com facas e chicotes, sangue... Estou agora, sentada em cima de uma cova, ooh! De uma cova. Uma cova pertencente a mim. “Morrer é o melhor jeito de esquecer os problemas.” Do que adianta morrer, meu corpo se vai e minha alma permanece aqui. Inviolável, compactada, sentada, pensando nele. A morte é tediosa, e os meus textos também. Agora não posso mais escrever, quem lerá os textos de um defunto?”

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