É dezembro. Época de prosperidade, reencontros, esquecer as amarguras passadas, rasgar os estratos bancários antigos, perdoar, amar, presentes. Restaurar, rejuvenescer. Papai Noel, tu és a minha última esperança. Eu já não tenho mais a quem pedir, a quem impugnar. Eu já orei para Deus, mas não adiantou; já pedi para o Coelho da Páscoa trazê-lo de volta para mim junto com algum ovo de Páscoa, mas ele não trouxe, já obsecrei para os meus pais derem-me ele de presente de Dia das Crianças, mas, nada adiantou. Agora, Papai Noel, quem me resta és tu. Eu lhe apelo, dê-me ele de presente, Papai Noel. Faça mais uma criança feliz, nesse universo decadente; no qual eu já não sei distinguir o bem do mal, o errado do certo. Faça-me ter novamente aquele sorriso que eu tinha quando ele ponderava palavras ao pé do meu ouvido, faça-me abraçar alguém novamente, com tanta ambição quanto eu tinha quando o abraçava. Traga-o para mim. Os dias sem ele são monótonos, são nuviosas e maçantes. As noites sem ele são geladas, solitárias, ameaçadoras. Eu vivo em uma constante metamorfose. E eu sinto que sucinto dele para ajudar-me a estabilizar-me. Eu conciso dele para os meus dias tornarem-se claros, para as minhas noites tornarem-se quentes. Eu já não aturo mais sentir frio todas as noites, eu me sinto asfixiada pelas minhas próprias mãos. Eu me sinto morta. Dê-me este presente, Papai Noel. Minha existência não tem significado sem ele. Eu preciso dele para ter o entusiasmo que eu tinha, eu preciso estar com ele. Faço-te este apelo nesta carta fracassada de tentar tê-lo de volta.
Assinado: Solidão.


